Filmes sobre parto e nascimento

Durante a Conferência Anual da CAM, elas resolveram incluir no Programa um Festival de Filmes sobre Parto. Achei a iniciativa muito bacana! O festival estava incluído na Conferência sem custo extra e os 7 filmes passaram 4 vezes cada um, duas vezes por dia.

Eu consegui assistir 3 dos filmes e gostaria de compartilhar aqui com vocês minhas impressões sobre eles.

O primeiro foi o filme Microbirth que tem tido sucesso no Brasil também.

microbirth

 

Fiquei feliz de ver novas caras e um tema “novo” relacionado ao parto natural. Absolutamente nada contra as caras “antigas” mas faz bem de vez em quando ver e ouvir algo novo! Não pesquisei mais ainda sobre o tema levantado no filme mas achei muito plausível e pertinente. Esse equilíbrio que deveríamos buscar entre natureza e tecnologia, modernidade e tradição é algo de tão complexo! O tom final do filme é pessimista (desculpem se estraguei algo!!) a gente sai da sala com o coração pesado! Imagino que tenha sido o objetivo dos Diretores  para que as pessoas pensem mais. Porém acredito que o tom pessimista as vezes pode deixar as pessoas sem esperança! Se fosse meu filme acho que eu teria tentado terminar em um tom que deixa mais esperança, mais poder para as pessoas! Mas acredito que é definitivamente um filme que vale muito a pena ver e uma questão para se refletir muito seriamente: como estamos afetando o infinitamente pequeno e como em troca o infinitamente pequeno está nos afetando?

O segundo filme que assisti foi Birth Rites. Já falei um pouco sobre ele no meu primeiro post.

birthrites

É um documentário que fala de duas realidades em extremos do mundo. Ele mostra os Inuit (nome correto dos Esquimós) do Nunavik no extremo Norte do Canadá em juxtaposição com a realidade de comunidades Aborígenes nas zonas desérticas da Austrália em relação a políticas de saúde materno-infantil. É um filme muito tocante. Vemos como uma mudança de política de saúde pode mudar a vida de uma Comunidade inteira. É de cortar o coração quando vemos a realidade australiana  porém em seguida temos a esperança do modelo Inuit. Achei um filme muito inteligente neste sentido. Apresentando um problema e uma possível solução não de forma utópica mas completamente realista com um exemplo à mão. As diferentes culturas que temos no Planeta Terra fazem parte de nossas riquezas enquanto Seres Humanos. Precisamos entender isso e aprender a respeitar e valorizar as diferenças. Faz parte também desse equilíbrio tão necessário a vida sobre o nosso Planeta do qual falava acima. Não precisamos destruir e dizimar uma cultura só por que ela é diferente da nossa! Desrespeitar a cultura do parto e nascimento de um Povo sob o argumento que a Medicina Moderna é melhor pra eles sem ter em vista o respeito da cultura ancestral é uma das formas do Colonialismo e por consequência de destruição.

O terceiro filme foi L’Arbre et le Nid/The Tree and The Nest que coloca também em juxtaposição mulheres acompanhadas no sistema obstétrico com mulheres acompanhadas pelo modelo das parteiras na Província de Québec no Canadá.

Arbre et nid-12b Arbre et nid-7a Arbre et nid-10 Arbre et nid-18

É um filme de parto já nos moldes mas convencionais pra quem já está nessa estrada há um tempinho!! Fala do Modelo Obstétrico, a cascata de intervenções, etc e mostra partos hospitalares inclusive uma cesárea eletiva que começa a acontecer mais e mais mesmo fora do Brasil. E em juxtaposição mostra-se o Modelo de Assistência das Parteiras no Québec que está incluído no Sistema de Saúde Público e Universal. Um filme esteticamente muito bonito. Gostei da fotografia! Me senti tocada por depoimentos sobretudo das mães e pais. Tem uma cena com o depoimento de um pai muito bonita. O questionamento principal sobre o qual se desenvolve o filme é: será que perdemos a capacidade de pairir? Pergunta muito pertinente para o mundo inteiro atualmente! Mas no Brasil esta pergunta nunca foi tão pertinente! Outras coisas que o filme traz que eu creio que vale a pena refletir no Brasil: que Modelo de Parteira queremos, precisamos falar mais de Humanização do Parto ou Hiper-medicalização do Parto?

Quero terminar falando de um filme que ainda não foi lançado mas está em fase de pós-produção e em plena campanha de financiamento no site Kickstarter. O filme Give Light: Stories from Indigenous Midwives.

Há uns anos atrás uma cliente me ligou dizendo que uma amiga estava fazendo um documentário sobre parteiras e gostaria de conversar comigo. Conheci então Steph Smith. Conversamos, ela me entrevistou e depois esqueci do assunto! Recentemente me marcaram em um trailer do filme onde parte da entrevista comigo aparecia. Feliz surpresa! Entrei em contato com Steph que me colocou a par do processo. Acredito que este filme pode trazer mais uma vez temas que precisam urgentemente serem discutidos como por exemplo: a necessidade de uma assistência culturalmente adequada, da valorização e da preservação da profissão ancestral de parteira e da necessidade de integrar tradição e modernidade para o bem do Ser Humano.  Quem puder por favor contribua. Filmes como este trazem o debate para a sociedade em geral.

Quem sabe um dia podemos ter um Festival Internacional de Filmes sobre Parto e Nascimento no Brasil? Com estes filmes todos, nacionais e internacionais, passando em telonas, recebendo prêmios! Quem sabe um dia!?

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